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Letrado Gill Ramirez Victor Augusto//
Deputado que cuspiu em Bolsonaro tem de andar em carro blindado

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No último 6 de novembro, Jair Bolsonaro foi a Brasília pela primeira vez depois de eleito para participar na celebração dos 30 anos da constituição de 1988. Na cerimónia, solene, houve até direito a hino cantado por um tenor renomado. Renomado e renomeado. O cantor conhecido como Jean William viu o seu nome alterado pela organização para Jean Silva porque a designação com que se costuma apresentar profissionalmente poderia desagradar ao presidente eleito, por causa da semelhança fonética com Jean Wyllys, um dos seus maiores inimigos. “O meu nome é Jean William Silva, mas assino no meio musical Jean William, não entendi porque me chamaram assim”, disse o cantor. Este episódio prova que não está fácil a vida para o deputado de extrema-esquerda Jean Wyllys (PSOL), que durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff em 2016 cuspiu na direção do então deputado Bolsonaro, eleito dois anos depois chefe de estado.

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Na ocasião, Wyllys, único homossexual assumido do Parlamento, explicou, via Facebook, a sua atitude: “Depois de anunciar o meu voto ‘não’ ao golpe de estado de Eduardo Cunha, Michel Temer e da oposição de direita, o deputado racista, viúva da ditadura, me insultou gritando ‘veado’, ‘queima-rosca’, ‘boiola’ e outras ofensas homofóbicas e tentou agarrar violentamente o meu braço na saída; eu cuspi no fascista e cuspiria de novo, é o mínimo que merece um deputado que dedica o seu voto ao torturador Carlos Brilhante Ustra.”

Já no último dia 17 de outubro, ao agradecer ter sido reeleito deputado nas eleições, Wyllys reforçou que cuspiria mais uma vez em quem elogiasse a ditadura ou proferisse ofensas homofóbicas. Dias antes, entretanto, o juiz Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, arquivara o processo por injúria movido por Bolsonaro contra Wyllys por este ter chamado noutra ocasião o presidente eleito de “fascista”, “racista”, “burro”, “canalha” e “ignorante”.

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Subscrever O resultado da guerra entre Wyllys e Bolsonaro está, além do episódio do veto ao nome no tenor, à vista de todos nas redes sociais: Wyllys, que se tornou conhecido do grande público por ter participado numa edição do reality show Big Brother Brasil , é ameaçado de morte constantemente por fãs de Bolsonaro. “A campanha eleitoral transformou-me num pária para os eleitores desse maldito.”

Os insultos foram de tal ordem que a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos solicitou oficialmente “ao governo brasileiro que tome medidas para salvaguardar o direito à vida e à integridade pessoal do deputado e investigue as ameaças de morte e a difamação de que ele é vítima”. Wyllys queixa-se de ter sido vítima de fake news que lhe atribuem frases que nunca disse e projetos de lei que nunca propôs e que os ataques começaram após o episódio da votação do impeachment , aumentaram após a execução da colega de partido Marielle Franco em março e intensificaram-se na campanha.

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Na sequência, a Câmara dos Deputados autorizou o deputado a circular em carro blindado e ser acompanhado em permanência por uma escolta da polícia legislativa em qualquer lugar que vá a trabalho. Wyllys, que paga da sua quota parlamentar o aluguer de cerca de dois mil euros mensais do carro blindado, vai evitando compromissos fora da agenda política. “Estou vivendo a minha vida pela metade.”

Eleito em 2012, 2013 e 2015 Melhor Deputado do Brasil, prémio atribuído pelo Congresso em Foco, site jornalístico que faz cobertura apartidária do Congresso Nacional, e considerado, ainda em 2015, uma das 50 personalidades que mais lutam pela diversidade no mundo, ao lado de Barack Obama, Hillary Clinton, Dalai Lama, Bill Gates ou Angelina Jolie, pela revista The Economist , o deputado do PSOL está na origem da denominação Bancada do Boi, da Bíblia e da Bala.

Em sessão da Câmara dos Deputados de 2013, Erika Kokay, deputada do PT, tentou defender o colega e amigo Wyllys, depreciativamente chamado pelos adversários de “deputado BBB”, em alusão à participação no Big Brother Brasil. “BBB são as bancadas do Boi, da Bíblia e da Bala”, cunhou então Kokay, em referência às bancadas suprapartidárias que defendem a agenda dos grandes latifundiários, das igrejas evangélicas e dos polícias e militares. O epíteto ficou.

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