Negocios

Membro do governo Trump inventou as suas qualificações e até uma capa da revista “Time” com o seu retrato

Falso foi o curso que Chang garantiu ter feito na prestigiada universidade de Harvard; na realidade, limitou-se a frequentar um programa de sete semanas que, embora caro, nada tem a ver com um curso normal de quatro anos. A principal vantagem deste curso está em que os seus frequentadores passam a ser considerados pela universidade como alumnus, ou seja, ex-alunos, com o prestígio e os benefícios correspondentes

A única coisa verdadeira no currículo de Mina Chang poderá mesmo ser o cargo que ocupa desde abril: vice-secretária do Departamento de Conflitos e Estabilização de Operações no Departamento do Estado dos EUA. De resto, todas as qualificações que apresentou para conseguir esse elevado posto parecem ser falsas.

Falso foi o curso que Chang garantiu ter feito na prestigiada universidade de Harvard; na realidade, limitou-se a frequentar um programa de sete semanas que, embora caro, nada tem a ver com um curso normal de quatro anos. A principal vantagem deste curso está em que os seus frequentadores passam a ser considerados pela universidade como alumnus, ou seja, ex-alunos, com o prestígio e os benefícios correspondentes.

Falsas ou extremamente exageradas são também as atividades de uma organização humanitária que Mina Chang fundou, e que teria justificado o facto de ter aparecido na capa da revista “Time” que apresentava em entrevistas, sugerindo que teria sido pioneira da utilização de drones em cenas de desastres. A capa também é falsa. Como falsa é a sua participação num painel da ONU.

Com base nas qualificações inventadas, Chang arranjou um lugar que paga acima de cem mil dólares por ano e em que gere milhões de dólares. Podiam ser milhares de milhões, se a vice-secretária tivesse conseguido um outro lugar para o qual foi considerada. Mas esse tipo de falsidades não é inédito na atual administração.

Afinal, o próprio Trump, que tem uma obsessão com a revista “Time” própria da sua geração – há décadas, a revista era muito mais influente do que é agora – fez produzir capas da revista com o seu retrato, colocando-as à vista em vários dos seus clubes de golfe.